O que é o bônus demográfico e porque ele importa – em um gráfico

O Brasil vem passando nas últimas décadas por uma transformação radical na composição etária da sua população. Se em 1970 mais de 40% da população tinha menos de 15 anos de idade, hoje são menos de 25%. No mesmo período, a proporção de brasileiros com ao menos 60 anos de idade dobrou, passando dos 10%, com previsão de atingir 22% em 2040, valor semelhante ao previsto para países como Inglaterra e EUA naquele ano.

Decorre dessa mudança uma janela de oportunidade importante para o desenvolvimento: um aumento temporário da proporção dos braços capazes de produzir riqueza – a chamada População em Idade Ativa, definida pelos demógrafos como a faixa entre 15 e 59 anos de idade – em relação à população ainda muito jovem ou mais idosa. É a esse superávit que se dá o nome de bônus demográfico.

O caso mais célebre de “aproveitamento” do bônus demográfico é o dos tigres asiáticos, cujo rápido crescimento econômico entre 1965 e 1990 foi facilitado pela transição demográfica. A combinação de maior capital humano em idade ativa com um menor peso relativo das despesas com a educação dos mais jovens e a proteção social dos mais idosos representou para esses países um impulso fundamental para o crescimento acelerado da economia.

E quanto ao Brasil? O gráfico abaixo, retirado de uma apresentação do professor do Insper e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Ricardo Paes de Barros, mostra os números do caso brasileiro.

bonusdemo2

Como se vê no gráfico, o Brasil está hoje em pleno gozo do seu bônus demográfico. A linha azul escura, que representa a População em Idade Ativa, deverá atingir por volta de 2020 um pico de 65% da população total, passando a cair a partir daí – a janela de oportunidade começará então a se fechar.

A preocupação dos especialistas que olham para esses números é o risco do Brasil ”envelhecer antes de enriquecer” – ou seja, atingir uma estrutura demográfica equivalente à do mundo desenvolvido antes de alcançar o nível de renda e bem estar social destes países, “desperdiçando” o bônus demográfico. Afinal, o bônus pode representar uma oportunidade importante, mas está longe de ser condição suficiente para uma maior aceleração do crescimento, como destaca este trecho de documento do Banco Mundial (citado por Hakkert):

“A demographic bonus can only be realized if, as was true in East Asia, human capital investments have been made in the health and education of those entering the labor force, and jobs have been created to meet the demand. Only then can youth realize their potential as healthy and productive members of society and boost their countries’ economic and development status. Investment in youth must be made early enough to create the conditions for this bonus to occur. Otherwise, a large, uneducated, unhealthy, unskilled, and underemployed workforce creates a burden to society and threatens its stability.”

Em outras palavras, não basta esperar, sentado à beira do caminho: o bônus demográfico não fará o nosso trabalho por nós. Sem educação e saúde de qualidade, melhorias na produtividade e melhores condições para o investimento privado, o bônus passará por nós como um ônibus lotado. Há inclusive quem diga que ele já passou.

Anúncios

2 comentários em “O que é o bônus demográfico e porque ele importa – em um gráfico

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s