Pondo fim à pobreza extrema, em dois gráficos

Poderíamos estar próximos do fim da pobreza extrema no mundo? Em 2005, o economista Jeffrey Sachs, em seu livro “O fim da pobreza”, afirmou que este era um objetivo alcançável ainda na nossa geração: no ano 2025, pra ser mais exato.

Apesar de recebida à época com ceticismo generalizado, a afirmação de Sachs não foi desconfirmada pelos fatos. Ao contrário: a primeira das Metas do Milênio, definidas pela ONU, era justamente a redução pela metade da pobreza extrema no mundo, entre 1990 e 2015. Ela foi atingida com 5 anos de antecedência, já em 2010.

Os dois gráficos abaixo retratam o ritmo dessa evolução.

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O primeiro (acima), elaborado pelo economista de Oxford Max Roser – um especialista em análises de séries históricas e tendências de longo prazo – mostra a evolução da pobreza extrema no mundo entre 1820 e os nossos dias. A linha vermelha representa a proporção da população com renda menor que US$ 1/dia, pelo critério da paridade do poder de compra – o equivalente à pobreza extrema. A linha amarela representa a proporção da população vivendo com até US$ 2/dia – critério que define a situação de pobreza. Ambas usam dados compilados pelos economistas franceses François Bourguignon e Christian Morrisson. A linha preta utiliza o conceito atualizado de pobreza extrema – renda per capita de até US$ 1.25/dia – com dados do Banco Mundial. Os dados falam por si: entre 1981 e 2011 a proporção da população mundial vivendo na pobreza extrema caiu de 43% para 14%. Note-se que no início da série (há apenas duzentos anos, um breve intervalo em termos históricos), essa proporção era de 84%! (mais detalhes sobre as fontes, além de gráficos e informações adicionais, estão no site Our World in Data).

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O segundo gráfico (acima) está no working paper The future of worldwide income distribution, de Tomáš Hellebrandt e Paolo Mauro, economistas do Peterson Institute, e mostra o impacto deste movimento nas tendências da desigualdade mundial. Ele apresenta três distribuições de frequência da renda per capita no mundo, para os anos 2003, 2013 e 2035 (projetada). O eixo vertical indica a proporção da população mundial, e o horizontal a renda em dólares. A redução da desigualdade mundial é visível, e quantificada numa redução do Coeficiente de Gini mundial de 68.7 em 2003 para 64.9 em 2013, chegando a 61.3 em 2035. As premissas usadas parecem razoáveis e podem ser conferidas no paper.

A causa das quedas expressivas representadas nos dois gráficos pode ser sintetizada em duas palavras: crescimento econômico. Como sintetizou Sachs em um artigo de 2013 para o New York Times:

Here are the basics: economic growth, and hence a market economy, is vital. Africa’s poverty is declining in part because its growth rate picked up from 2.3 percent per year during the lackluster years of 1990-2000 to 5.7 percent during 2000-10. Without economic growth, there cannot be sustained gains in income, health and other areas. Continued progress depends on heavy investments in major infrastructure — water, electricity, waste management — and these in turn depend on large-scale private financing, hence a suitable market framework.

É verdade que a renda per capita não pode ser o único indicador utilizado para medir a pobreza, hoje entendida como um fenômeno multidimensional, abrangendo também o acesso a direitos como saúde e educação, entre outros. Mas como afirma Sachs, sem o motor de uma economia de mercado puxando o resto, fica muito difícil progredir, em qualquer dimensão. O PIB importa.

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